Pelotas é um município gaúcho, localizado no estado do Rio Grande do Sul (RS), a 250 km de Porto Alegre, a capital mais ao sul do Brasil. Este site pretende apresentar informações sobre os povoadores do município, partilhar e divulgar informações de pesquisas realizadas por mim. Pelotas, RS, Brasil. Autor: LEANDRO RAMOS BETEMPS, historiador, genealogista e pesquisador. Contato de email: LEANDROBETEMPS@GMAIL.COM
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Fotógrafos franceses em Pelotas
Em
Pelotas o primeiro fotógrafo de que se tem notícia é o francês Charles Etienne
Serrès, nascido por volta de 1829, filho de Etienne Serrès e Marie Lassale. Seu
ateliê situava-se à Rua das Flores, n° 80 (chamada rua Andrade Neves desde
1869). O fotógrafo casou-se em 1866 em Pelotas, com a francesa Marianne Elise
Lhullier, de quem teve dois filhos: Emílio e Paula. Após anos de dedicação à
arte de Daguerre, Charles Serrès faleceu em 1890 em Pelotas e quem o sucedeu
foi seu cunhado Jean Baptiste Lhullier.
Jean Baptiste
Lhullier foi a segunda geração dos fotógrafos franceses
O
jornal Correio Mercantil de 13/1/1876 anuncia a chegada do terceiro fotógrafo
francês em Pelotas: François Auguste Amoretty, que compra o ateliê de Batiste Lhullier.
Este foi dos três fotógrafos franceses, talvez o que alcançou maior destaque em
Pelotas. É provável que tenha ajudado para isso a dispersão do interesse pela
fotografia que aumentou no final do século com o advento de novos processos de
fotografar e novos produtos químicos, tornando a fotografia um pouco mais
acessível às camadas mais populares. Esses detalhes junto com sua habilidade de
fotógrafo faziam dele o grande fotógrafo até aquele momento. Seus
pais eram os franceses Antoine Louis Amoretty, natural de Marselha e Victorine
Louise Masseran, natural de Montpellier, casados em 1842 na cidade do Rio de
Janeiro. Essa importante informação põe em questão a naturalidade de Amoretty.
Seria ele nascido na França ou no Brasil? Muito provavelmente tenha nascido no
Brasil e adquirido a nacionalidade francesa por adoção. O que se sabe de
concreto é que o fotógrafo François Auguste Amoretty recebeu várias menções e
medalhas por seu dedicado trabalho e que teve um irmão chamado Afonso Carlos
Amoretty que casou na atual cidade de Arroio Grande com uma brasileira. A. Amoretty casou provavelmente no Uruguay com Francisca Luísa Lugarte de quem
teve os filhos Conceição, Otília, Saturnina, Carlos Augusto, Dora, Luís Carlos
e Maria Teresa, alguns deles nascidos quinta-feira, 31 de outubro de 2013
O Palacete do Visconde - parte 5
O Palacete do Visconde: uma vocação ao serviço público (5)
8. Como conclusão, o
reconhecimento histórico
O palacete erguido pelo Visconde de Jaguary, ao longo de sua
história, tem adquirido no imaginário dos pelotenses uma aura pública, uma
vocação de serviços sociais prestados à comunidade. Essa vocação, iniciada com
o Visconde que engrandece Pelotas com a construção do templo religioso, veio
seguir com sua esposa a Viscondessa engajada na vida social e benemerência. As
ações de Dona Zeferina e sua família parecem continuar com esta preocupação
comunitária. A história continua atraindo para o palacete esta vocação, com a
implantação do Conservatório de Música em 1918 e todos os serviços municipais
que ali tiveram sede. Hoje*, o SANP recebe diariamente centenas de pessoas a
procura de seus serviços, assim como o Conservatório que recebe alunos e
professores em seus salões. O prédio segue refletindo sua histórica vocação
pública de abrigar a comunidade. A resposta disto pode ser indicada já em
03/07/1985 quando o palacete é tombado pelo COMPHIC - Conselho Municipal do
Patrimônio Histórico e Cultural, como merecedor de ser preservado por guardar parte
da memória do povo pelotense.
[* Atualiza-se o texto, informando que em 26/07/2004, pela Lei Estadual 12.133, o Conservatório de Música de Pelotas foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul. Esse reconhecimento foi um dos motivadores para a permuta de prédios acertada pela Prefeitura Municipal de Pelotas e a Universidade Federal de Pelotas. Em 04/12/2019, a Prefeita Paula Mascarenhas e o Reitor Pedro Curi Hallal anunciam a permuta de prédios onde o SANEP passa a ocupar prédio cedido pela Universidade e o Conservatório passará a ocupar o antigo Palacete do Visconde. Vide: https://www.pelotas.com.br/noticia/prefeitura-fara-cessao-para-que-conservatorio-de-musica-ocupe-todo-o-predio ]
9. Cronograma de
resumo
1812 – Criada a Freguesia que origina o núcleo urbano de Pelotas
1830
– Estabelecido o segundo loteamento urbano de Pelotas
1832/1835
– Construção do sobrado do Visconde de Jaguary
1852
– Morte do Visconde de Jaguary
1855
– Instalação da Mesa de Rendas de Pelotas
1866
– Morte da Viscondessa de Jaguary
1867
– Dona Zeferina compra o prédio
1871 – Criação da Companhia Hydraulica Pelotense para fornecimento de água potável encanada na zona urbana.
1886
– Morte de D. Zeferina (herdeiros: Teresa, Praxedes, Francisca e Carlos)
1887
– Morte de D. Teresa (herdeiros: Firmiana Braga e Natália Braga)
1896
– Morte do Barão de Correntes
1904
– Morte de D. Praxedes (herdeiros: dr. Rasgado e filhos Joaquim, José e Noemi)
1906
– Morte de Artur Braga comprador parte de Carlos (herdeiros: Alberto e Álvaro)
1908
– Francisca vende sua parte para Eduardo Augusto de Menezes
1908
– Álvaro vende sua parte para Tibério Teixeira de Lima
1910 – Intendência compra parte de Firmiana, Natália Carlos Alberto e Tibério, depois compra parte de Eduardo Menezes e por fim torna-se única proprietária do Palacete ao comprar a parte da família Rasgado.
1910 – A Companhia Hydraulica é encampada pelo Poder Público Municipal com vistas à implantação de serviços municipais de esgoto.
1918
– Conservatório de Música
1925
– Reforma do prédio
1937 – Conservatório de Música é municipalizado.
1941
– Reforma geral do prédio e instalação de serviços municipais e outros.
1953
– Criação do DAAE - Departamento Autônomo de Água e Esgoto.
1955
– Criação da DAE - Diretoria de Água e Esgoto.
1965
– Criação das autarquias do Conservatório de Música de Pelotas e do SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto.
1969 – Conservatório de Música é agregado no processo de criação da UFPel - Universidade Federal de Pelotas.
1983 – Conservatório de Música desvincula-se da Municipalidade sendo de fato incorporado como Unidade de Ensino da UFPel.
1984
– Criação do SANEP - Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas, ampliando a área de atuação para resíduos sólidos.
1985
– Tombamento do prédio como patrimônio histórico pela municipalidade.
2002 – SANEP passa a atuar também na macro drenagem urbana.
2004 – Conservatório de Música de Pelotas é reconhecido com Patrimônio Cultural do RGS.
2005 – SANEP celebra 50 anos como Autarquia Municipal.
2019 – Permuta de prédios entre Prefeitura Municipal e UFPel cede o Palacete centenário para a UFPel, seguindo a vocação do Palacete ao serviço público.
Referências:
A
- Bibliografia
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Eduardo. Pelotas: Gênese e Desenvolvimento Urbano (1780-1835). Pelotas: Editora
Armazém Literário, 1994.
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Jayme Lucas. Povoadores de Piratini. Porto Alegre: Suliani letra&vida,
2007.
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Leandro Ramos (org).; JACCOTTET, Alda M. de Moraes. Povoadores de Pelotas-RS:
Freguesia de São Francisco de Paula (1812-1825). Pelotas: Ed.
Universitária/UFPel, 2006.
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Semeador, 1992.
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Ceres. Vida e obra de José Isella: Arquitetura em Pelotas na segunda metade do
século XIX. Pelotas: Ed. Livraria Mundial, 2002.
GUTIERREZ,
Ester J. B. Negros, Charqueadas e Olarias: um estudo sobre o espaço pelotense.
2.ed. Pelotas: Ed. Universitária/UFPel, 2001.
GUTIERREZ,
Ester J. B. Barro e Sangue: mão-de-obra, arquitetura e urbanismo em Pelotas
1777-1888. Pelotas: Ed. Universitária/UFPel, 2004.
MAGALHÃES,
Mario Osório. Os passeios da Cidade Antiga. Pelotas: Armazém Literário, 1994.
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Ângelo Pires. Pelotas na Tarca do Tempo. Primeiros tempos e Freguesia. 1°
Volume, Pelotas: s. ed., 1988.
NASCIMENTO,
Heloísa Assumpção. Arcaz de Lembranças. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor,
1982.
NASCIMENTO,
Heloísa Assumpção. Nossa Cidade era Assim. Pelotas: Livraria Mundial, 1989.
OSÓRIO,
Fernando Luís. A Cidade de Pelotas. 2ed. Pporto Alegre: Editora Globo, 1962.
SPALDING,
Walter. Os Construtores do Rio Grande. Porto Alegre: Sulina, 1973.
B
– Fontes Impressas:
Revista
do Primeiro Centenário de Pelotas, por João Simões Lopes Neto. Pelotas,
30/12/1911. Número 3, pg. 47.
Revista
do Primeiro Centenário de Pelotas, por João Simões Lopes Neto. Pelotas, 29/02/1912.
Número 5, pg. 69.
Relatório
da Seção de Águas e Esgoto. Intendência Municipal: Pelotas, 1916.
Relatório
da Companhia Hydraulica Pelotense. Pelotas: 1894.
C
– Fontes Manuscritas no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul
Inventário
do Visconde de Jaguary - Domingos
Antiqueira: 1° Cartório Civil de Pelotas, Ano 1852, N°348, M24, E25.
Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Informações
cedidas em 2007 pela Pesquisadora Eleonora Moreira Ferreira da Costa Mallet.
Inventário
da Viscondessa de Jaguary - Leocádia Amália da Silveira: 1° Cartório Civil de
Rio Grande, Ano 1867, N°148, M05, E5. Arquivo Público do Estado do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre. Informações cedidas em 2007 pela Pesquisadora Eleonora
Moreira Ferreira da Costa Mallet.
Inventário
de José Ignácio da Cunha: 1° Cartório de
Órfãos e Providência de Pelotas, Ano 1865, N°600, M38, E25. Arquivo Público do
Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Informações cedidas em 2007 pela
Pesquisadora Eleonora Moreira Ferreira da Costa Mallet.
Inventário
de Zeferina Gonçalves da Cunha: 1°
Cartório de Órfãos e Providência de Pelotas, Ano 1886, N°1067, M60, E25. Arquivo
Público do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Informações cedidas em
2007 pela Pesquisadora Eleonora Moreira Ferreira da Costa Mallet.
Inventário
do Barão de Correntes – Felisberto Inácio da Cunha: 2° Cartório Civil de
Pelotas, Ano 1897, N°217, M6, E33. Arquivo Público do Estado do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre. Informações cedidas em 2007 pela Pesquisadora Eleonora
Moreira Ferreira da Costa Mallet.
Inventário
de Thereza da Cunha Braga: 1° Cartório de Órfãos e Providência de Pelotas, Ano
1888, N°1123, M63, E25. Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre. Informações cedidas em 2007 pela Pesquisadora Eleonora Moreira Ferreira
da Costa Mallet.
D
– Fontes Manuscritas da Prefeitura Municipal de Pelotas
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Cópia autenticada de Primeiro traslado da escritura de venda que faz Dona
Francisca Umbelina Flores Castel à Eduardo Augusto de Menezes. 3° Cartório
de Notas Fernando Rohnelt – Pelotas, 21/03/1908. Concedido pela Secretaria de
Cultura, 2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Cópia autenticada da Primeiro traslado da escritura n° 81 da venda que faz
Firmiana Braga de Araújo e outros à Intendência Municipal de Pelotas. 3°
Cartório de Notas Fernando Rohnelt – Pelotas, 30/08/1910. Concedido pela
Secretaria de Cultura, 2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Cópia autenticada da Primeiro traslado da escritura n° 38 da venda que faz
Eduardo Augusto de Menezes à Intendência Municipal de Pelotas. 3°
Cartório de Notas Fernando Rohnelt – Pelotas, 09/09/1910. Concedido pela
Secretaria de Cultura, 2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Cópia autenticada da Primeiro traslado da escritura n° 39 da venda que faz
Joaquim Rasgado e filhos à Intendência Municipal de Pelotas. 3° Cartório
de Notas Fernando Ronhelt – Pelotas, 30/09/1910. Concedido pela Secretaria de
Cultura, 2007.
E – Material Eletrônico
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Lei n° 474/53 de 04/12/1953 que cria Departamento Municipal Autônomo de Águas e
Esgotos, Pelotas, 1953. Disponível em
http://www.pelotas.com.br/interesse_legislacao/lista_leis.htm?tipo_site=l em
12/10/2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Lei n° 598/55 de 14/11/1955 que cria Diretoria de Águas e Esgotos, Pelotas,
1955. Disponível em
http://www.pelotas.com.br/interesse_legislacao/lista_leis.htm?tipo_site=l em
12/10/2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Lei n° 1474/65 de 25/10/1965 que cria Serviço Autônomo de Águas e Esgotos
(SAAE), Pelotas, 1965. Disponível em
http://www.pelotas.com.br/interesse_legislacao/lista_leis.htm?tipo_site=l em
12/10/2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas –
Lei n° 2838/84 de 02/05/1984 que altera denominação do SAAE para Serviço
Autônomo de Saneamento de Pelotas (SANEP), Pelotas, 1984. Disponível em
http://www.pelotas.com.br/interesse_legislacao/lista_leis.htm?tipo_site=l em
12/10/2007.
Prefeitura Municipal de Pelotas -
Termo de Tombamento do prédio do Conservatório de Música de Pelotas,
Pelotas, 03/07/1985. Concedido pela Secretaria de Cultura, 2007.
E – Material Cartográfico
Planta da Freguesia de São Francisco de Paula, executada por Maurício Ignácio da Silveira, a mando do Capitão-mor Antônio Francisco dos Anjos, 1815. Concedida gentilmente por Mogar Pagana Xavier, Secretaria de Municipal de Cultura, Pelotas, RS, 2007.
Planta do segundo loteamento da
cidade de Pelotas, 1835. Concedida gentilmente por Mogar Pagana Xavier, Secretaria de Municipal de Cultura, Pelotas, RS, 2007.
O Palacete do Visconde - parte 3
O Palacete do Visconde: uma vocação ao serviço público (3)
A compradora do sobrado era Dona Zeferina Maria Gonçalves,
nascida em 15/09/1804 em Canguçu, filha de Felisberto Gonçalves Leal, natural
de Rio Pardo e de Ana Maria de Jesus Sousa Oliveira, natural de Mostardas.
Zeferina casou-se em Canguçu com José Inácio Gomes da Cunha, nascido em 1797
José Inácio foi vereador pelotense entre 1849 e 1851 e
faleceu em Pelotas em 03/09/1865. Em 31/10/1865 consta de seu inventário uma
procuração de Zeferina declarando-se moradora nos subúrbios da cidade o que
comprova que não eram moradores do sobrado e que foi ela quem comprou em 1867 o
sobrado, passando daí em diante a ser sua residência.
A família de Dona Zeferina e do vereador Cunha tinha destaque
local, assim como o casal Jaguary. O Vereador José Inácio foi um homem público
e dona Zeferina uma mulher empenhada com as causas religiosas e sociais. Talvez
uma das maiores obras sociais feitas por dona Zeferina foi a construção da
capela no cemitério da Santa Casa de Misericórdia, no atual bairro do Fragata.
Os enterros neste campo santo começaram em 1856 e se fazia necessário uma
capela para ali rezar as missas do Dia de Finados. Dona Zeferina mandou
construir às suas custas a capela entre as catacumbas da Irmandade do
Santíssimo e da de Nossa Senhora do Rosário. Ela e o marido eram irmãos do
Santíssimo. Depois de pronta a capela foi dedicada ao Senhor do Bonfim em 1880.
Dona Zeferina era a verdadeira matriarca da família e faleceu em 29/05/1886 em
Pelotas, sendo sepultada a direita da porta da Capela que mandou construir
(NASCIMENTO, 1982, 27).
Os nomes de Zeferina e seu marido, assim como de seus filhos
Possidônio e Felisberto também são citados nos registros da Irmandade do
Santítissimo Sacramento e do Padroeiro doando e auxiliando a Igreja em Pelotas.
Seus filhos todos já adultos e com destaque na sociedade
pelotense: os dois filhos são o comendador, vereador e diretor da Companhia
Hidráulica, Possidônio Mâncio da Cunha, nascido em 21/05/1822 em Pelotas e
casado com Maria Bernardina Dias, de Rio Grande; e Felisberto Inácio da Cunha,
o Barão de Correntes, nascido em Canguçu em 11/11/1824, casado em 1852 em
Pelotas com Maria Antônia Coelho, falecida em 1865 e em segundas núpcias em
1866 com Silvana Belchior, falecida em 1877
Dona Zeferina fez seu testamento em 30/09/1880, no sobrado da rua do
Imperador, deixando bens aos filhos Possidônio, Felisberto e Arminda. Mas o
sobrado que nos interessa foi dividido apenas entre as filhas Teresa, Maria
Praxedes e aos netos Francisca e Carlos, filhos de Umbelina, sua filha já
falecida.
6. Herdeiros de
Zeferina Cunha
Foi justamente na sucessão de Zeferina que a propriedade do palacete se
fragmenta. O imóvel é avaliado em 30:000$000 réis sendo partilhado em valor, da
seguinte forma: para a filha Tereza da Cunha são 10 contos de réis; para a
filha Maria Praxedes da Cunha são outros 10 contos de réis e os 10 contos de
réis restantes para a filha Umbelina Teresa da Cunha, falecida antes de 1865,
foram divididos entre seus dois filhos, netos de Zeferina: Francisca Umbelina
Flores com 5 contos de réis e Carlos Augusto Flores com mais 5 contos de réis.
Com o sobrado dividido entre os 4 herdeiros, com base em valores, acabou possibilitando
a compra e venda posterior entre eles, ou com terceiros. A sucessão se deu da
seguinte forma:
A filha Teresa da Cunha, nasceu em 05/03/1829 em Pelotas onde casou em
1852 com Felisberto José Gonçalves Braga, rico charqueador, falecido em
A filha Maria Praxedes da Cunha, nasceu em 21/07/1832 em
Pelotas, onde casou em 1862 com Joaquim Rasgado Filho, natural de Rio Grande.
Maria Praxedes faleceu em 12/10/1904 e deixou sua parte dividida em duas
partes, metade para o marido e a outra a ser dividida entre seus 3 filhos:
Joaquim Rasgado Neto, casado, morador em Pelotas e sem descendentes; José
Inácio da Cunha Rasgado, casado e morador
A filha Umbelina Teresa da Cunha, nasceu em 13/03/1821 em
Pelotas e casou com Francisco da Silva Flores, natural de Rio Grande. Umbelina
faleceu em 1848 e deixou 2 filhos: Francisca Umbelina e Carlos Augusto.
Francisca Umbelina Flores, nascida em Pelotas em 1847, casou
com Eduardo Paulino Castell de quem teve filhos entre 1869 e 1878. No processo
de inventário da avó Zeferina, consta um pedido da herdeira Francisca Umbelina
ao juiz, solicitando um alvará de licença para a venda de sua parte na
Charqueada, visto que a mesma necessitaria de reformas e que a renda obtida por
ela não a recompensaria, além de não ter o valor necessário para reformas.
Alega ainda que o marido há mais de 20 anos se retirara de Pelotas indo para o
Pará e de lá para lugar ignorado. A licença foi dada pelo Juiz. Da mesma forma
Francisca Umbelina fez com sua parte no sobrado, vendendo em 21/03/1908 para
Eduardo Augusto de Menezes que já era proprietário da casa térrea ao lado do
palacete.
O mesmo provavelmente fez seu irmão, dr. Carlos Augusto
Flores, nascido em 1845, casado, morador no Rio de Janeiro. Sua parte aparece
em mãos do primo Artur Otaviano Braga, nascido em 1853 em Pelotas e que aparentemente
teria comprado a parte de Carlos Augusto, já que não herdou nada por sua mãe
Teresa da Cunha. Artur faleceu em 1906 em Pelotas, e deixou sua parte em
inventário para os filhos: Carlos Alberto Braga, ainda menor e Álvaro Otaviano
Braga que vendeu sua parte em 25/06/1908 para Tibério Teixeira de Lima.
O Palacete do Visconde - parte 4
O Palacete do Visconde: uma vocação ao serviço público (4)
Como já foi comentado, embora a tradição oral diga que o
Barão de Correntes habitou o prédio, mais provavelmente entre 1881 e a sua
morte em 1896, o material pesquisado não comprovou essa informação (CALDAS,
1992, 19). As fontes nos ensinam que ali funcionou um estabelecimento bancário,
o London Bank durante muitos anos (REVISTA DO CENTENÁRIO, 1912, p.69). De
propriedade fragmentada, os herdeiros então alugaram o prédio e com o tempo foram
vendendo suas partes para a municipalidade, interessada em instalar ali suas
repartições e serviços públicos.
A primeira compra feita pela Intendência foi em 30/08/1910,
adquirindo metade do imóvel. Eram as frações de Firmiana Braga de Araújo e
Natália Braga herdadas de Teresa da Cunha; as de Carlos Alberto Braga e Tibério
Teixeira de Lima, que vinham da metade da herança de Umbelina da Cunha Flores.
A segunda compra pela Intendência se deu em 09/09/1910 e
tratava-se da outra metade da herança de Umbelina da Cunha Flores, que na época
estava na posse de Eduardo Augusto de Menezes. A Intendência Municipal possuía
agora dois terços do imóvel.
A última parte a ser adquirida foi a herança de Maria
Praxedes da Cunha Rasgado. Este último terço foi comprado ao viúvo Joaquim
Rasgado Filho e seus 3 filhos em 13/12/1910.
Os vários proprietários do prédio foram ao longo do ano de 1910, repassando suas posses para a Intendência Municipal que fez uma reforma no palacete.
Em 04/06/1918 se deu uma reunião na Praça do Comércio (Antiga
Associação Comercial), que era uma sala alugada na entrada do Clube Comercial.
Esta reunião formalizava a fundação do Conservatório de Música de Pelotas. O
governo municipal, na pessoa de seu Intendente dr. Cipriano Barcelos cedeu para
a instalação provisória do Conservatório o prédio comprado em 1910, reformado e
ainda vazio. Assim, o Conservatório passou a ocupar algumas salas no andar
térreo do palacete da Intendência. A procura de alunos aumentou e em 1925 foi
feita uma reforma para adaptar mais salas de aula. Embora com procura, o
Conservatório de Música seguia sempre com dificuldades financeiras para
manter-se e seus diretores pensavam na possibilidade de municipalizar a
instituição e garantir sua permanência. Em
Pelo tempo, o prédio passou a necessitar de reparos urgentes
e o prefeito Albuquerque Barros ordenou uma reforma geral no imóvel centenário.
Entre 1939 e
No andar térreo, o governo municipal instalou a
Subprefeitura, a Junta de Alistamento Militar e a Diretoria de Luz, Força e
Estatística (CALDAS, 1992, 27).
Após alguns anos, mudanças políticas desocuparam a parte
térrea do prédio para ali instalar o Departamento Municipal Autônomo de Águas e
Esgotos, criado em 04/12/1953 pela Lei Municipal n° 474/53. O palacete da
esquina da antiga rua do Poço parece reclamar a si o serviço de abastecimento
de água, numa tentativa silenciosa de lembrar aos transeuntes do antigo poço
ali existente onde hoje encontra-se a Ótica Estima, quase a esquina com a rua
General Osório.
O Departamento foi criado em substituição a Seção de Águas e
Esgoto e os Serviços de Instalações Domiciliárias, subordinados a Diretoria de
Obras e Saneamento. A Seção de Águas e Esgotos teve seu escritório durante
muitos anos instalado, desde a encampação da Companhia Hidráulica de Pelotas
pela Prefeitura em 1908, numa sala do andar térreo da Prefeitura (RELATÓRIO DE
1916,
O serviço de águas, melhor organizado, cresce e em 25/10/1965
através da Lei Municipal n° 1474/65 torna-se autárquico com a criação do SAAE.
No mesmo ano, em 29/11/1965, pela Lei Municipal n° 1485/65 o prefeito Edmar
Fetter torna o Conservatório de Música também uma entidade autárquica,
dando-lhe maior autonomia.
No andar superior do palacete, a autonomia do Conservatório
leva ao início de um processo de federalização. Em 15/12/1969, por Decreto
Federal n° 65.881, foram aprovados os estatutos da recém criada Universidade
Federal de Pelotas e neles consta o Conservatório de Música como uma unidade
agregada. A partir daí o processo da transferência definitiva do Conservatório
para a Universidade Federal se arrastou conforme o interesse do prefeito que
esteve
No andar térreo, o SAAE ganha importância municipal, sendo um
importante prestador de serviços públicos. Seu crescimento leva o prefeito, em
O Palacete do Visconde - parte 2
O Palacete do Visconde: uma vocação ao serviço público (2)
3. O Visconde de
Jaguary (1835-1852)
Embora não tendo êxito a proposta de Domingos Antiqueira de
instalar a freguesia em terras de Isabel Silveira no Laranjal, o charqueador muito
ajudou nas obras da igreja. Quando a comunidade fez a procissão para transferir
a imagem do padroeiro, da casa do Padre Felício para a igreja, os registros de
Vieira Pimenta contam que o comendador Domingos Antiqueira muito se gabou de
ter carregado a imagem sem um momento de descanso (NASCIMENTO, 1982, 16).
Em 1817, e provavelmente também em 1818 e 1819, Antiqueira
foi provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento e do Padroeiro São Francisco
de Paula criada no mesmo ano da freguesia. Neste ano ele promoveu aqui pela
primeira vez os festejos da Semana Santa (NASCIMENTO, 1982, 41; 50).
Mas foi quando um raio comprometeu a realização dos ofícios
religiosos na igreja, antes de 1826, que o comendador Antiqueira passou a
ajudar financeiramente na reconstrução e reformas que o prédio passou a
receber. A partir daí forma várias doações para ajudar na reconstrução de 1828,
na construção da capela-mor entre 1828-1834 e na construção do consistório
durante a Guerra Farroupilha. Entre 1850-1851 Antiqueira mandou fazer as suas
custas a torre norte da igreja (NASCIMENTO, 1982, 17; 20).
Nos anos de 1835, 1836 e 1849, Domingos Antiqueira foi Juiz
da festa de São Francisco de Paula, cargo da Irmandade do Santíssimo
responsável pela realização da festa do padroeiro.
Gutierrez investigou o inventário de Domingos e dele consta
um considerável patrimônio: terras, a charqueada, imóveis urbanos, uma chácara
junto à cidade, 40 escravos, além de apólices do Mercado Público e um camarote
no Teatro Sete de Abril. Legou para a igreja a quantia de 500$000 réis e uma
chácara na atual rua João Manuel que depois de arrematada rendeu 4:801$000
réis. Domingos era sem dúvida o maior benfeitor da igreja, sendo por isso, após
sua morte em 02/05/1852 sepultado dentro do templo e hoje seus restos estão à
entrada, na torre da direita, próximo a capela do Senhor dos Passos. Seu
sepultamento foi realizado com muita pompa e Nascimento assim diz:
O próprio [José Vieira] Pimenta, grande amigo do Visconde
encarregou-se do sepultamento e não poupou esforços ‘para tornar mais solene e
mais pomposos todos os atos fúnebres, os quais foram presenciados por todos os
habitantes de Pelotas que couberam na igreja’ (NASCIMENTO, 1982, 18).
Mas não foi apenas para a igreja que ele foi benfeitor, em
1826, Domingos aparece como doador de 200 contos de réis para auxiliar ao
Exército chefiado pelo General Lecor que lutava na Guerra Cisplatina, o que lhe
valeu a outorga da Comenda da Ordem de Cristo em 1826 e o título de Barão de
Jaguary em 1829 (MOREIRA, 1988, 99-100).
Em fevereiro de 1846, Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II
passou por Pelotas e entre outras coisas fez o lançamento da pedra fundamental
em terrenos doados por Mariana Eufrásia da Silveira para construção da nova
Matriz de Pelotas, o que nunca aconteceu. Nesta visita o Imperador ficou
hospedado no palacete do Barão de Jaguary na rua do Comércio esquina com a rua
do Poço. Este sobrado era a residência urbana do Barão. Depois desta visita ele
foi agraciado em 12/12/1846 com o título de Primeiro Visconde de Jaguary, com
grandeza (NASCIMENTO, 1989, 324). Quando Dom Pedro II retornou a Pelotas em
24/10/1865, hospedou-se ainda na rua do Comércio que depois desta visita passou
a ser chamada rua do Imperador. Porém seu anfitrião não foi mais Domingos
Antiqueira que já era falecido, mas sim no solar de Antônio Rodrigues Ribas na
esquina com a rua Martins Coelho (que em 1866 recebeu o nome de 24 de Outubro –
data da chegada da Comitiva imperial a Pelotas; e depois de 1889 rua
Tiradentes).
O Visconde casou três vezes. De sua primeira esposa Joana
Maria Bernardina não deixou descendentes. Só deixou descendentes de seu segundo
matrimônio com Maria Joaquina de Ávila Coelho. Maria Joaquina nasceu em
06/10/1795 em Piratini, filha do comendador José Martins Coelho, natural de
Santa Catarina e de Ana Maria de Ávila, natural de Rio Grande, ambos netos de
açorianos. O casamento de Maria Joaquina com Domingos Antiqueira se deu em
24/11/1810
Maria Joaquina faleceu por volta de 1829 e em 05/06/1830
Domingos Antiqueira casa-se com Leocádia Amália da Silveira em Pelotas de quem
também não deixa descendentes.
O Visconde de Jaguary deixou filhos apenas de seu segundo
casamento: Clara, Domingos, João, Maria Joaquina, Antônio e José. O casal ainda
teve outros filhos, nascidos e falecidos em Pelotas, provavelmente em sua
residência urbana: Ana (1821-1829), Genuína (1822-1829), Francisco (1824-1824),
Israel (1825-1825) e Francisca (1828-1829).
Sua primeira filha é Clara Joaquina, batizada na freguesia de
Povo Novo,
Domingos de Castro Antiqueira Filho, nascido em 1814 já
batizado em Pelotas, casado com Luciana Eulália da Silva Travassos, moradores
João Bento de Castro Antiqueira, nasceu em 09/10/1815 em
Pelotas, onde casou em 1836 com Rosa Angélica da Silveira. Deve ter falecido
antes de 1847 e sem descendentes, visto não ser mencionado no testamento do pai
escrito em 1847.
Maria Joaquina de Castro Antiqueira, nascida em 20/08/1817 em
Pelotas, onde casou com Joaquim Marques de Sousa, moradores
Antônio de Castro Antiqueira, nascido em 22/02/1819 em
Pelotas e casado com Clara Soares da Silva, moradores
José de Castro Antiqueira, nasceu em Pelotas em 23/05/1820,
deixou pelo menos uma filha natural tida com Ana Eulália da Silva Travassos,
moradores
Porém, o inventário do Visconde de Jaguary é do ano de 1852 e
em pesquisa realizada a este documento pode-se verificar que seus bens foram
herdados pela Viscondessa de Jaguary e os filhos do segundo casamento dele:
Domingos de Castro Antiqueira, Maria Joaquina Marques de Souza, Antonio de Castro
Antiqueira, José de Castro Antiqueira e os netos por sua filha já falecida
Clara Joaquina Paiva, que moravam
Leocádia, a Viscondessa, nasceu na freguesia do Estreito,
filha de João Silveira da Rosa, natural da Enseada do Brito
A Viscondessa dita seu testamento em sua casa na cidade do
Rio Grande em 05/09/1866, onde falece em 22/11/1866. Seus herdeiros são: a irmã,
também testamenteira e inventariante Rosa Alexandrina da Silveira, casada com
Sebastião Borges de Oliveira. A sobrinha e afilhada Leocádia Breckenfeldt que recebe
um lance de casas na rua do Imperador. A sobrinha Maria Barbosa Breckenfeldt a
quem legou seus móveis, louças, demais utensílios de sua casa e 8 escravos,
sendo que uma escrava faleceu logo após a Viscondessa.
Mas o que nos interessa aqui é o “sobrado de cinco portas de
frente situado em Pelotas à rua do Imperador esquina Sete de Setembro com fundos
à rua da Igreja e o seu respectivo quintal”, avaliado em 12:000$000 réis e que
foi comprado por dona Zeferina Maria Gonçalves da Cunha no ano de 1867.
A Viscondessa deixou muitas dívidas, e o dinheiro da venda do
sobrado foi destinado ao seu pagamento. Algumas eram: 827$660 para o pagamento
do funeral da Viscondessa que teve até uma orquestra contratada para acompanhar
o funeral; 300$000 para o credor João Bento; 3.487$000 ao credor Cândido dos
Santos Xavier; 149$465 para o credor Bento Alves Rebello & companhia;
43$340 ao credor Manuel Matias da Terra Velho; 1:501$683 para a credora
Vicência Maria da Fontoura, 36$000 ao Dr. Octacílio Camará (médico que a
atendeu em 7 encontros, inclusive um às 2h da madrugada); e 4:806$625 que coube
a Rosa Alexandrina, sendo o restante líquido da herança.
A pesquisadora Eleonora Malet observa do processo de
inventário que a Viscondessa tinha dificuldades financeiras em se manter. As
dívidas em sua maioria se referiam a compras de roupas, serviços médicos e
empréstimos. A Viscondessa fez seu testamento e faleceu
sábado, 26 de outubro de 2013
O Palacete do Visconde - parte 1
Uma propriedade de casas de sobrado de cinco portas de frente leste pela rua do Comércio (atual Félix da Cunha) esquina sul pela rua do Poço (atual Sete de Setembro) com todo o terreno, que forma o quintal da maneira por que se acha amurado e desmembrado das outras propriedades, que vem a ter [77m] de frente oeste pela rua da Igreja (atual Anchieta), contando até a rua da Palma (desde 1869 chamada General Neto), e de [26,40m] de frente a rua do Comércio.

