Em 2003, houve o lançamento do Vinhos e Doces. Neste livro, apresentei os aspectos históricos da trajetória da Colônia Francesa de Santo Antônio do Quilombo, no município de Pelotas, RS. Nos anexos, foi incluída a genealogia das famílias fundadoras desta Colônia.
Pelotas é um município gaúcho, localizado no estado do Rio Grande do Sul (RS), a 250 km de Porto Alegre, a capital mais ao sul do Brasil. Este site pretende apresentar informações sobre os povoadores do município, partilhar e divulgar informações de pesquisas realizadas por mim. Pelotas, RS, Brasil. Autor: LEANDRO RAMOS BETEMPS, historiador, genealogista e pesquisador. Contato de email: LEANDROBETEMPS@GMAIL.COM
domingo, 14 de julho de 2013
Vinhos e Doces ao Som da Marselhesa - Sinopse
segunda-feira, 8 de abril de 2013
1812 - apenas 5 matrimônios
Primeiro matrimônio - 11 Novembro 1812
Não foram encontrados outros registros eclesiásticos para o casal, nem batismos de filhos, nem óbitos dos conjuges. Talvez tenham ido para outra freguesia, possivelmente Rio Grande.
sábado, 14 de julho de 2007
A tradição francesa do doce em Pelotas
Os charqueadores no século XIX,
através da mão-de-obra escrava, construíram
Com o crescimento econômico e
demográfico nas charqueadas é criada a freguesia em 1812, no ano seguinte começa
a construção da igreja primitiva e aos poucos vai se criando um pequeno povoado
para onde mudam-se os charqueadores com suas famílias depois da emancipação em
O charque era enviado por navios ao
nordeste brasileiro onde servia de alimentação dos escravos, e de lá os porões
vinham com farinha de mandioca e sobretudo, açúcar. E como já disse meu mestre,
o historiador Mario Magalhães, sal e açúcar se complementaram para o
florescimento da cidade que tão orgulhosa de si mesma se denominou “Princesa do
Sul”, ressaltando a sua opulência.
A herança portuguesa das sinhás
foi se adaptando à realidade sulina, e com a mão e os ingredientes das mucamas
e escravas vindas da África ou da Bahia tornaram o doce popular de tabuleiro em
doces finos de bandeja.
Muitos charqueadores possuíam
chácaras na Serra dos Tapes e para lá enviavam seus escravos durante a
entressafra para plantarem abóboras, milho e outros. Com a abolição estas
terras foram loteadas e vendidas para europeus, surgindo as colônias agrícolas.
Os primeiros a pensarem num
produto para o mercado foram os franceses chegados a partir de 1880. Trazendo o
vinho, a compota e doces cristalizados como traços culturais da França para ao
bom clima temperado de Pelotas no qual o próprio Saint-Hilaire escreveu ter
admirado pessegueiros em 1820, surge a fruticultura
Leandro Ramos Betemps
Publicado: Jornal Diário Popular, Pelotas, Sábado, 14/07/2007, página 6 - Opinião
Publicado: Jornal Diário da Manhã, Pelotas, Sábado, 14/07/2007, página 13 - Cultura
terça-feira, 24 de junho de 2003
Franceses: uma contribuição para a fama doceira de Pelotas
Nestes últimos dias, não há
pelotense que não tenha escutado falar na feira que está sendo realizada no
Centro de Eventos, no município de Pelotas. Doces deliciosos, estandes,
passeios, apresentações e personagens ilustres que passam pela FENADOCE são
temas daquelas conversas. A cada edição a Feira Nacional do Doce está mais
valorizada, com melhor organização, mais preparada para mostrar Pelotas além de
nossas fronteiras. A tradição do doce, da cultura, da História do município vem
à tona para comprovar que Pelotas continua se desenvolvendo e tem condições
para fazer ainda muito mais, há potencial para isto.
Se a tradição e História são
chamadas nestes deliciosos e agradáveis dias, cabe aqui fazer uso delas também
para aprofundarmos nossa compreensão sobre a fama doceira de Pelotas. Nossos já
nacionalmente famosos doces refinados, nascidos das saborosas, antigas e
secretas receitas das cozinhas dos palacetes e casarões de outrora, sem dúvida,
são nossa herança portuguesa, legados desde os tempos áureos dos saraus, por
nossas avós lusitanas.
Entretanto, não só os
portugueses, mas outros imigrantes também muito contribuíram para nossa fama de
Capital do Doce. Fama esta nascida também, graças a grande produção de frutas
da região, em especial o pêssego. Não venho negar a importância dos portugueses
nesta origem, mas lembrar de juntar a eles outros imigrantes que também fizeram
uso desta vocação de Pelotas surgida na transição entre o sal das charqueadas e
o açúcar de nossas indústrias.
Durante a década de 80, Pelotas
obteve cifras elevadas na produção de compotas e garantiu a permanência em
funcionamento de diversas agroindústrias. Pois bem, estes imigrantes chegados
na região de Pelotas em fins do século XIX, entre eles, alemães, franceses e
italianos, souberam dar sua contribuição para o desenvolvimento econômico de
Pelotas. Na zona rural, alemães e italianos inicialmente fecharam-se em sua
própria cultura, desenvolvendo uma produção voltada para o autoconsumo.
Enquanto que os franceses saíram à frente, ao fundarem a colônia de Santo
Antônio, no Distrito de Quilombo, Sétimo Distrito de Pelotas, em 1880, já
preocupavam-se em desenvolver um produto para o mercado pelotense, buscando
para isso uma abertura cultural com a sociedade urbana.
Primeiramente privilegiaram a
produção da alfafa: lucrativa e de rápido retorno. A seguir, entre seus traços
típicos, os franceses escolheram e passaram a valorizar a fruticultura.
Começaram a plantar vinhas e árvores frutíferas. Para aproveitar a boa produção
e aumentar o período de validade das frutas, beneficiavam o excesso produzindo
vinho e conservando as outras frutas em calda de açúcar, produzindo compotas;
ou cozendo-as em passas, preparando as famosas pessegadas.
Na época, o consumo de vinho era
proporcionalmente maior do que hoje, pois o consumo de cerveja e aguardente
eram menores. Assim, a produção de vinho e o cultivo de uva se desenvolveu mais
que os doces na colônia francesa. Com o tempo, porém, não podendo rivalizar com
os vinhos produzidos na Serra Gaúcha, os franceses foram optando pela
manutenção apenas das fábricas artesanais de doces, compotas e conservas. Os
parreirais deram lugar a muitos pessegueiros. A primeira destas fábricas na
Colônia Santo Antônio foi a dos Pastorello fundada em 1900. Domingos Pastorello
seguia os passos de outros dois franceses: Ambrósio Perret, o introdutor de
árvores frutíferas em Pelotas, e Amadeu Gastal, o pioneiro na fabricação da
compota de pêssego em Pelotas, isso ainda no ano de 1878 antes da chegada da
segunda leva de franceses em Pelotas. Não havia família francesa que não
cultivasse as frutas e produzisse compotas e doces. A aceitação no mercado
pelotense foi tanta que outras fábricas foram surgindo ao lado das existentes
na colônia francesa e espalhando-se por toda a zona rural. Se antes, a produção
de vinho ficou praticamente restrita à Colônia Santo Antônio, agora, o cultivo,
principalmente, do pêssego e o beneficiamento de frutas ganharam adeptos por
todo o município e adjacências.
Na década de 60, estas fábricas
artesanais da zona rural começavam a ter problemas econômicos para manterem
suas portas abertas. Uma a uma foram sendo fechadas ou passando a
estabelecimentos intermediários cuja função era o de fornecer matéria-prima
para as agroindústrias que surgiam em nosso Distrito Industrial. A Colônia
Francesa de Pelotas, berço das antigas fábricas artesanais que beneficiavam as
frutas transformando-as em doces em passas ou em calda e que deram origem as
agroindústrias do município, teve sua última fábrica fechada em 1972. Outras
continuaram existindo, mas, fora da colônia Santo Antônio, a sua maioria de
origem alemã ou pomerana. Aos fabricantes franceses resta a homenagem da Câmara
Municipal ao dar seus nomes para logradouros públicos: Daniel Capdeboscq,
Emílio Ribes, Domingos Pastorello.
Passeando agora, pelas
tentadoras e apetitosas bancas de venda de doces nos pavilhões da FENADOCE,
encontramos ali, uma banca que lembra esta contribuição francesa na tradição
doceira de Pelotas. Entre as famílias francesas, que ainda hoje guardam algumas
das tradições de seus ancestrais na produção de doces, está a família
Crochemore que merece destaque por ser a única que tem, entre os descendentes
de franceses em Pelotas, uma produção industrial de doces e compotas
valorizando aquela antiga maneira artesanal de produzir saborosos doces.
Autor: Leandro Ramos Betemps
Publicado: Jornal Diário da Manhã, Pelotas, Terça-Feira, 24/06/2003, página 15 - Caderno de Aniversário




