domingo, 3 de junho de 2018

Apresentação: Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS

Fonte: BETEMPS, Leandro Ramos. Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS. In: Anais do Seminário de Metodologia da Pesquisa em Arte. UFPel, 2008.

Aqui os slides da apresentação feita em 03/06/2008:

























































Artigo: Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS

Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS

 

Fonte: BETEMPS, Leandro Ramos. Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS. In: Anais do Seminário de Metodologia da Pesquisa em Arte. UFPel, 2008. Palestra feita em 03/06/2008.  

 


O presente texto pretende comunicar a construção metodológica que realizei para desenvolver meu projeto de pesquisa vinculado ao Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural, do Instituto de Ciências Humanas, da Universidade Federal de Pelotas, sob a orientação do Prof. Dr. Fábio Vergara Cerqueira.

Inicialmente apresento as diretrizes do projeto, depois os cuidados que tive na construção do corpo teórico e metodológico. Por fim, apresento alguns resultados obtidos e aspectos que penso serem importantes numa pesquisa social.

 

O projeto de pesquisa

Em 2000, apresentei ao Curso de Especialização em Patrimônio cultural e conservação de artefatos, da UFPel, as conclusões de pesquisa que realizei sobre os traços culturais do grupo étnico francês de Pelotas.

À época da pesquisa de campo, percebi a quantidade de elementos, carregados de memórias e simbolismos, que ajudam as famílias a fortalecerem os laços étnicos, mantendo o grupo unido há mais de 125 anos.

Problematizando, me perguntei se a partir destes fragmentos de memória seria possível compreender: o espaço, as relações, as permanências e as identidades. Com esta problematização dei início as definições e metas do projeto.

Como tema, escolhi a gestão do acervo cultural do grupo étnico. Tendo como objeto de pesquisa a própria relação entre memória social e os suportes de memória da comunidade formada pelo grupo étnico durante sua trajetória histórica.

Meus problemas são saber quais os suportes de memória a que o grupo se remete? E como esse acervo de suportes mantém a memória social do grupo, conta sua história e constrói a identidade étnica no tempo?

Como objetivo geral, busco identificar e analisar elementos que evocam e/ou representam a memória social que perpassa a História da comunidade étnica da Colônia Francesa de Pelotas.

E como objetivos específicos, investigar e identificar os elementos indicados pelo grupo como suportes da memória social. Catalogar e inventariar os suportes orais, visuais e materiais, que conta a história e a memória social, com base no suporte escrito. Analisar e contextualizar o inventário constituído, para revelar aspectos que evoquem a memória, a história ou a etnicidade do grupo.

Suportes de memória social, História cultural e identidade étnica francesa são as palavras-chave que indicaram o título do trabalho: “Suportes de Memória Social, História e Etnia: os acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas-Rs”.

 

A construção teórica da pesquisa

O primeiro passo foi buscar todas as informações e discussões possíveis referentes ao tema. Uma revisão bibliográfica foi essencial. Com isso busquei obras sobre imigração, colonização e História, tanto em Pelotas, como no Rio Grande do Sul, Brasil ou mesmo na França. Pela minha formação acadêmica priorizo a historicidade como base de análise dos suportes, por entender que ela é quem dá significados e contextos aos suportes aproximando os indivíduos, criando a noção de etnicidade e construindo a identidade. Com esta linha teórica busquei leituras que me apoiassem e pudessem dialogar juntas. Para isso precisei recorrer a obras sobre memória, história, etnia e temas transversais que aproximam estas categorias.

A revisão bibliográfica me deu, por exemplo, pressupostos teóricos para definir o grupo étnico, dito “francês”, como sendo o grupo de 50 famílias francesas e seus descendentes, que em 1880 fundaram a Colônia Santo Antônio, no interior de Pelotas. E entender que os suportes de memória são como pontes que ligam indivíduos separados por espaços, tempos, culturas ou grupos sociais diferentes.

A partir deste aprofundamento fui capaz de estruturar a pesquisa que levou a organização dos capítulos finais da dissertação. No capítulo 1, apresento uma reflexão teórica sobre Memória, História, Etnia e Identidade, que são as basilares do trabalho. No capítulo 2, uma reflexão teórico-metodológica dos suportes (escrito, material, visual e oral), relacionados com as basilares. O capítulo 3 contém o início da construção do objeto em si, aqui apresento um histórico da Colônia, sua memória, identidade e outros aspectos. No capítulo 4, descrevo os catálogos dos suportes citados e apresentados pelo grupo étnico, é a constituição do corpo documental. No capítulo 5, apresento os aspectos reflexivos, a análise da memória através das categorias dos catálogos e suas implicações quanto à etnia e à identidade.

 

A construção metodológica da pesquisa

Depois de estabelecer os objetivos do projeto e ter feito as leituras iniciais, passei a definir o desenrolar metodológico. A pesquisa, quanto a seu objetivo, é um estudo histórico, descritivo, explicativo. Quanto ao procedimento, é uma pesquisa bibliográfica, documental com levantamento de dados e trabalho de campo.

Tracei algumas estratégias de ação como forma de discernimento metodológico quando, por exemplo, defino a pesquisa como um estudo histórico e não como um estudo de caso. Penso que ter claro, o tipo de pesquisa que se quer realizar, é importante para evitar muitas mudanças metodológicas durante o trabalho. Alterações no projeto sempre ocorrem até o final, pois imprevistos acontecem e as fontes podem revelar coisas com as quais não contávamos. Entre estas estratégias criadas, dei atenção para as etapas metodológicas. É importante ter bem definidas as etapas da pesquisa. No meu caso, as etapas são: a coleta de dados, a leitura interpretativa destes dados, a catalogação e criação de um catálogo descritivo de suportes, a categorização e tematização dos suportes, para depois comparar as categorias e analisar como o grupo étnico francês gerencia seus suportes de memória, história e etnia.

Para analisar estes suportes foi necessário pensar a organização dos mesmos.

Os suportes de memória podem ser elementos de cultura material, visual ou oral. Eles formam um conjunto que denominei acervo cultural étnico-familiar, pois está sob a guarda de um arquivo familiar, com a função de conservação de um passado e uma identidade através da memória. Este arquivo familiar é então formado por diferentes acervos culturais que servem para avaliar o grau de compartilhamento e uso da memória social do grupo. São eles os acervos: iconográfico, material e oral. Para fazer uso destes acervos foi necessária uma revisão teórica específica para cada suporte.

Para o acervo iconográfico fui buscar os pressupostos nos teóricos da cultura visual. Pois, para analisar uma fotografia, é preciso usar operadores que revelem a visualidade, articulando a imagem, o objeto, o modo de olhar e a cultura visual dos sujeitos.

Para o acervo material foi preciso analisar a diversidade material do cotidiano contextualizando-a com suas variações de representação e de imaginário, com base nos teóricos de cultura material, sobretudo da Arqueologia Histórica.

Para o acervo oral, formado de depoimentos que como narrativa, carregam a experiência pessoal e a articulação simbólica, foi necessário buscar auxílio nos teóricos de história oral.

Para me aproximar do grupo étnico criei um roteiro de entrevista, semiestruturada, onde estipulei algumas perguntas fechadas em forma de questionário e outras abertas para que o depoente falasse mais livremente. Com as entrevistas e a observação visual, é possível acessar os diferentes suportes.

O roteiro de entrevista é uma síntese do problema da pesquisa, por isso dividi as perguntas em três blocos. O primeiro sobre as características do entrevistado, o segundo sobre sua relação com a Colônia Francesa e o terceiro sobre sua memória e suportes.

A memória social surge quando os acervos testemunham o passado e  identificam no presente. Estas duas perspectivas dependem somente do indivíduo. Ele é quem vive, necessita e lembra. Ele escolhe e se apropria de determinados suportes para contar a sua história. Visto existir essa subjetividade que diversifica e enriquece o questionamento científico, é preciso realizar uma amostragem para análise.

Nesta amostragem foram convidadas três famílias com diferentes graus de proximidade com o núcleo da Colônia Francesa: uma que sempre viveu na Colônia; outra que depois tenha saído da Colônia; e outra que tenha ido para fora do Município. Dentro de cada uma destas três famílias, fez-se nova amostragem, agora por diferentes gerações: alguém da 1ª geração (por exemplo, um avô); outro da 2ª geração (um filho); e outro de 3ª geração (o neto). Cada um destes nove depoentes tem condições de apresentar seus diferentes suportes de memória pessoal para serem inventariados: suportes de fonte material (por exemplo, construções e objetos); suportes de fonte visual (fotografia, pintura, desenhos); suportes de fonte oral (conselhos, vivências, saberes, anedotas); e suportes de fonte escrita (jornais, certidões, livros).

Cada indivíduo está inserido em grupos sociais diferentes e utiliza elementos diferentes para contar sua história pessoal ou familiar e manter suas raízes.

 

Alguns resultados

Depois da construção metodológica, a pesquisa segue as etapas práticas e chega ao momento da constituição do corpo documental. Após ter muito se exercitado para dar boas linhas e formas ao corpo teórico e metodológico. É preciso ainda ter o corpo documental muito bem definido antes de partir para a análise.

O corpo documental tem de me permitir alcançar o objeto de pesquisa, ou seja, devo ser capaz de entender por um lado o histórico da Colônia Francesa, sua memória social e identidade étnica; e por outro lado, identificar estes suportes de memória e como eles são utilizados pelo grupo.

No foco de pesquisa está a Colônia Francesa de Santo Antônio, fundada em 1880, localizada no Distrito de Quilombo (Sétimo Distrito do município de Pelotas), a distância de 35 km da cidade. Em sua trajetória história este grupo sempre buscou estratégias de sobrevivência econômica e reprodução cultural. Seu principal legado para o município foi: a fabricação de vinho, de frutos cristalizados, compotas e doces em pasta.

Para sua continuidade na fronteira étnica, o grupo fez uso de alguns traços culturais que representando símbolos e significados, vinculam indivíduos numa organização social chamada etnia. A existência de um grupo étnico não vem da presença de traços culturais. Mas, das relações e sentimentos de pertença na fronteira étnica. É por isso que não busco resgatar memória, identidade ou história. Aquelas pessoas de sangue francês não existem mais, existem sim, descendentes de famílias francesas que fazem uso de determinados suportes de memória, que são ou referenciam traços culturais que os une socialmente no presente.

Para responder ao meu problema de pesquisa é preciso cruzar as diferentes fontes (orais, materiais e visuais) e as diversas categorias de análise. É preciso dialogar a memória social com seus suportes.

 

Aspectos conclusivos

Para finalizar esta partilha das dificuldades, cuidados e experiências que tive na criação das ferramentas para meu trabalho de pesquisa, eu gostaria de chamar atenção para alguns aspectos que penso serem importantes numa pesquisa social.

Primeiro, devemos pensar nos riscos e dificuldades que o projeto de pesquisa pode ter. No meu caso, o mais significativo deles é a descaracterização do meio. Essa descaracterização não se dá por falta de interesse ou mudança cultural, o que é natural haver ressignificações e alterações de conteúdo ao longo do tempo, pois o homem é um ser em constante atualização. A descaracterização se dá por empobrecimento da zona rural e leva à mudança acelerada das referências às próprias raízes assim como das antigas adegas, fábricas e casas de pedra erguidas pelos imigrantes.

Por fim, e não menos importante estamos ligados ao grupo das Ciências Humanas ou Sociais, e isso intensifica o dever e a responsabilidade de nossas pesquisas estarem relacionadas a algum impacto social. É importante pensarmos nos resultados esperados, a que e a quem servirá nosso trabalho? Ele poderá tornar melhor a vida da comunidade e, sobretudo, de nossos depoentes?

Por isso, é interessante que nosso trabalho possa se vincular com projetos já existentes, cujos temas sejam interligados ao de nossa pesquisa. A partir de uma demanda da comunidade étnica estudada surgiu o interesse num projeto de musealização. Sem conseguir realizá-lo sozinha, a comunidade recebeu essencial apoio do poder público e da Academia, e juntos puseram o projeto em andamento. Minha intenção é de que o trabalho de pesquisa histórica e inventário possam ser utilizados na organização e gestão deste museu.

5º Seminário de Metodologia da Pesquisa em Arte (2008)

Remexendo antigos arquivos... 

Há 10 anos participei do 5º SEMINÁRIO DE METODOLOGIA DA PESQUISA EM ARTE, promovido pelo DEPARTAMENTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO, do INSTITUTO DE ARTES e DESIGN, da UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, com a coordenação geral do Prof. Dr. CARLOS ALBERTO ÁVILA SANTOS. 

Eu fui comunicador, abrindo o período da noite, com a palestra: 

19h – "Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS"





Aqui o PROGRAMA completo

02/06/2008 – Segunda-feira – TARDE

14h –     Abertura

              Prof. Dr. Lauer Alves Nunes dos Santos – Diretor do IAD

14h30 – “Inserindo dispositivos relacionais: táticas artísticas para desacelerar”

               Prof. Mst. Paulo Renato Damé (UDESC)

 15h30 – “Comunicação pós-moderna nas imagens dos Mangás”

              Mst. Mônica Faria (PUC/RS)

 17 h – “Ecletismo na fronteira meridional do Brasil: 1870-1931”

             Prof. Dr. Carlos Alberto Ávila Santos (FAU/UFBA)

 19h – “Chafarizes e a caixa d’água de Pelotas”

            Esp. Janaína Silva Xavier (PGA/IAD)

 20h – “As donas da beleza: a metodologia”

           Profa. Dra. Nadia Senna (ECA/USP)

 

03.06.2008 – Terça-feira – tARDE

14h – “Elementos funcionais e ornamentais da arquitetura eclética pelotense: 1870-1931”

          Coord. Prof. Dr. Carlos Alberto Ávila Santos (DAC/IAD)      

          Esculturas

          Amanda Dutra Corrêa (Artes Visuais – Licenciatura)

          Ana Luiza Alves (Artes Visuais – Licenciatura)

          Davi Domingues dos Santos (Artes Visuais – Licenciatura)

          Jamila Lima Macedo (Artes Visuais – Licenciatura)

          Letícia Alves Pereira (Artes Visuais – Licenciatura)

          Estuques

          Gabrieli Gayguer (Artes Visuais – Licenciatura)

          Josiane Ortiz (Artes Visuais – Licenciatura)

          Ruth Scotto (Artes Visuais – Licenciatura)

          Ferragens

          Bruno Oliveira (Artes Visuais – Bacharelado)

          Douglas Veiga (Artes Visuais – Bacharelado)

15h – “Monumentos e estatuária do espaço urbano pelotense”

           Coord. Prof. Dr. Carlos Alberto Ávila Santos (DAC/IAD)

           Daniele Moraes da Silva (Artes Visuais – Bacharelado)

           Janaína Enck (Artes Visuais – Bacharelado)

           Natália Cardoso Hax (Artes Visuais – Bacharelado)

15h30 – “Entre o suporte e a pintura: a possibilidade de um corpo frágil”

              Renata Corrêa Job (Graduação em Artes)

16h30 – “Moda, comportamento e arte, estudos de caso”

              Coord. Profa. Dra. Mari Luci Loretto (DAC/IAD)

              Carolina Rocha Brum (Artes Visuais – Design Gráfico)

              Gracia Casaretto Calderon (Artes Visuais – Design Gráfico)

              Paula Buss Thofern (Artes Visuais – Design Gráfico)

              Patrícia Koshier Buss (Artes Visuais – Design Gráfico)

17h – “Interfaces metodológicas na pesquisa de arte e literatura”

           Coord. Profa. Dra. Mari Lúci Loretto (DAC/IAD)

           Henrique Rockenbach de Almeida (Artes Visuais – Design Gráfico)

           Jenniffer Campos (Artes Visuais – Licenciatura)

           Paula Cristina Luersen (Artes Visuais - Licenciatura)

17h30 – “Museu Gruppelli: um lugar da memória do 7º Distrito”

              Esp. Margareth Acosta Vieira (PGA/IAD)

 

19h – "Criando ferramentas para pensar a Memória Social através dos acervos culturais da Colônia Francesa de Pelotas/RS"

           Esp. Leandro Ramos Betemps (PGA/IAD)

19h30 – “Da sala para a cozinha: tempo, conceito e estilo”

              Esp. Marcela Schuch Borges (PGA/IAD)

20h –  “Palacetes Piegas: de moradia à casa de cultura”

              Esp. Joseane Cristina da Rosa (PGA/IAD)

20h30 – “Sistematização do Acervo Fotográfico do Museu da Baronesa/Pelotas/RS”

              Esp. Clarissa Hernades Pereira (PPGA/IAD)

 

 

04.06.2008 – Quarta-feira – tARDE

 14h – “Interferências entre Transposições – Uma poética pictórica de acumulação e adensamento de imagens videográficas”

           Mst. Ricardo Mello (IA/UFRGS)

 15h – “Paisagem portátil: arquitetura da natureza pré-fabricada”

            Prof. Dr. Daniel Acosta (ECA/USP) 

 16h30 – “Tempo sentido”

              Cristina Ramm (Artes Visuais – Bacharelado)

 17h – “O paganismo nas necrópoles de Porto Alegre”

              Mestranda Luiza Carvalho (IA/UFRGS)  

 17h30 – “Mulheres na história”

              Coord. Profa. Dra. Úrsula Rosa da Silva (DAC/IAD)

              Angélica Daiello (Filosofia/UFPel)

              Daniela Grillo (Filosofia/UFPel)

              Rebecca Silva (Artes Visuais – Licenciatura)

              Stella Martinelli (Artes Visuais – Licenciatura)

 19h – “Honremos a pátria senhores!” A sociedade Portuguesa de Beneficência: caridade, poder e formação de elites na Província de São Pedro (1854-1910)”

            Profa. Dra. Larissa Patron Chaves (PUC/RS)

 20h – “Gravura não tóxica: métodos alternativos para gravura em metal”

            Coord. Profa. Dra. Ângela Pollmann (DAV/IAD)

             Cristina  Barbosa Noguez (Artes Visuais – Bacharelado)

            Daiana Dellagostin (Artes Visuais – Bacharelado

quinta-feira, 8 de março de 2018

Augusto Pastorello: o escultor dos franceses


Augusto Pastorello. Acervo família Lino Ribes.


A Colônia Francesa em Pelotas teve dois aspectos diferenciados em sua presença. Uma leva de franceses se fixou na zona urbana e outra leva na zona rural. Embora assim tenha ocorrido e cada uma das levas tenha características específicas, ambas não ficaram isoladas nem uma da outra, nem com a sociedade pelotense que na época tanto valorizava o espírito da civilização francesa.
Exemplo disso é Auguste Louis Marius Pastorello, nascido em Pignans, no departamento de Var, ao sul da França em 16.05.1875. Seus pais são os piemonteses Domenico Pastorello e Catarina Magdalena Constantina Augieri que emigraram para a França e ali casaram.

Registro de nascimento de Augusto Pastorello na França - État Civil de Pignans, 1875

O casal Pastorello procurando melhores condições de vida resolve emigrar para o Brasil, chegando em 03.12.1876 na colônia São Feliciano, hoje município de Dom Feliciano, no Rio Grande do Sul e dali partindo em dezembro de 1880 para a Colônia Francesa de Santo Antônio do Quilombo, interior do município de Pelotas.

Carta datilografada deixada por Augusto Pastorello onde narra fatos sobre a vinda da família para o Brasil. Acervo da família Lino Ribes.

No ano de 1892, aos 17 anos, ele acompanha a família que transfere residência para a cidade de Pelotas. Seu pai, Domingos, estava desgostoso com a destruição de seu parreiral na Colônia Francesa, devido a uma violenta chuva de pedras. Domingos vendeu a propriedade e estabeleceu uma casa comercial na cidade, em sociedade com o filho Augusto, onde este trabalhou por 3 anos. Ao deixar o comércio, decidiu dedicar-se à escultura e gravura, praticando também o desenho e exercendo a partir daí estas profissões.

Assinatura de Augusto Pastorello gravada em placa alusiva ao Asilo de Órfãs. Foto por Leandro Betemps, 2010.

Em 12.05.1898, Augusto Pastorello casa-se com Francisca Flores Alsina, sobrinha do espanhol Francisco Alsina, que foi vice-cônsul de Espanha em Pelotas, negociante de secos e molhados e Presidente da primeira diretoria do recém fundado Club Comercial de Pelotas, em 1881. Augusto e Francisca tiveram 4 filhos: Elvira, Carmem e Augusto, todos solteiros e Diva que casou com Eduardo Maurell Filho, mas que não deixaram descendentes.

Placa para o Asilo de Órfãs. Foto por Leandro Betemps, 2010.

Em 1900, volta com o pai para Santo Antônio e lá o auxilia na instalação de uma pequena fábrica artesanal de conservas. Augusto aprende litografia e desenha os rótulos para os produtos. Para imprimi-los, seu gênio inventivo criou uma impressora e guilhotina, onde a maioria das peças foi feita por ele em sua oficina. Em outubro de 1907, decide mudar-se definitivamente para a cidade onde sua oficina litográfica recebeu inovações. Nessa época, encomendou da França uma máquina tipográfica e passou a imprimir trabalhos literários.
Aos poucos, passou a dedicar-se exclusivamente à arte da escultura. Realizou vários trabalhos dos quais citamos alguns, por ordem cronológica:
- 1928, o altar de São Francisco de Paula, da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus;
- 1929, o busto de Manuel Moralles, o primeiro Presidente do Clube Caixeiral, sob encomenda deste Clube;
- 1930, o busto do pintor pelotense Leopoldo Gotuzzo;
- 1930, o busto de Yolanda Pereira, Miss Universo;
- 1935, a herma de Bento Gonçalves, por encomenda da Prefeitura de Piratini;
- 1945, o monumento ao médico dr. Armando Fagundes, instalado na praça Cypriano Barcellos, feito gratuitamente pelo artista;
- 1963, o busto em bronze de Francisco Lobo da Costa situado no cruzamento das ruas Almirante Barroso e General Argolo.
E ainda digno de nota, temos notícia de um busto de Fernando Luiz Osório e outro de Ildefonso Simões Lopes, além de diversas placas em bronze com as quais Pelotas homenageou homens e comemorou fatos.

Placa para Lobo da Costa, na fachada do Prédio da Bibliotheca Pública Pelotense. 
Foto por Leandro Betemps, 2004.

Augusto Pastorello é um dos expoentes da colonização francesa em Pelotas. Sempre manteve ligações com esta Colônia onde vivia sua família. Sua origem era italiana, mas italianos do Piemonte, noroeste da Itália, onde a cultura francesa influencia a cultura italiana. O que depois foi reforçado com a mudança de seus pais para a França e de lá como franceses radicados vindos ao sul do Brasil.
Augusto em 06.05.1890 se declara na Câmara de Pelotas como negando a naturalização brasileira agraciada pela recém proclamada República, ele assina sua declaração querendo permanecer francês até a morte em 02.07.1968, na cidade de Pelotas.

Augusto Pastorello. Acervo da família Lino Ribes. 


BETEMPS, Leandro Ramos. Augusto Pastorello: o escultor dos franceses in Povoadores de Pelotas - RS/Brasil. Disponível em: https://povoadoresdepelotas.blogspot.com.br/2018/03/augusto-pastorello-o-escultor-dos.html. Acesso em: [inclua a data da consulta].

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Primeiro Encontro da Família Bichet

Gostaria de partilhar alguns slides que preparei para uma fala que fiz no PRIMEIRO ENCONTRO DA FAMÍLIA BICHET. 
Parabéns à família pela iniciativa em realizar o encontro 
e obrigado pelo convite. 


O Patriarca da Família Bichet no sul do Brasil foi 
CLAUDE FRANÇOIS BICHET, 
nascido no Departamento de Doubs (25), na França. 



A Floresta de Chailluz, onde François Bichet nasceu, 
é uma atração turística junto a capital Besançon.



Besançon já era uma cidade importante 
quando François Bichet vivia no lugar.



François saiu da França em 1873 e antes de 1875 já estava no Brasil. Na foto, a lista parcial dos passageiros, conforme pesquisa feita pela senhora Marie-Thérèse Meissel. 

Seu casamento com Augustine Colomby 
realizou-se em Camaquã, RS, em 25/11/1875. 

A esposa também era francesa e veio para a Colônia São Feliciano, atual município de Dom Feliciano, RS. 
A foto de Augustine foi cedida pelo senhor Olinto Bichet de Carvalho, neto de Augustine e François Bichet.





O casal viveu em Dom Feliciano, Pelotas e Rio Grande. 
Na foto, a cidade de Dom Feliciano.


Em 1888 viviam na Colônia Francesa de Santo Antônio, em Pelotas. Em 1896, estavam na Colônia Ramos, em Pelotas e em 1897 estavam vivendo na Colônia Maciel, em Pelotas. 
O óbito de François ocorreu na Colônia Francesa, em Pelotas.






Dos 14 filhos que encontrei registro, apenas 8 chegaram a idade adulta e deixaram descendentes.  


Aqui uma fotografia feita por volta de 1895 com a família BICHET:  François aos 51 anos, a esposa Augustine aos 35 anos e 7 filhos. Apenas a mais nova não aparece na fotografia, pois nasceu algum tempo depois. Fotografia do acervo da família Bichet.