segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paróquias Católicas dos municípios da Arquidiocese de Pelotas


A Arquidiocese de Pelotas (excluindo as Dioceses de Bagé e Rio Grande) possui paróquias nos municípios de Pelotas, Turuçu, São Lourenço do Sul, Canguçu, Piratini, Morro Redondo, Capão do Leão, Pedro Osório, Cerrito, Herval, Arroio Grande e Jaguarão. 

Aqui uma figura com os municípios em verde que pertencem a Arquidiocese de Pelotas e uma lista com as datas em que os livros de registros eclesiásticos iniciam nestes municípios. Apenas Arroio do Padre não sedia nenhuma paróquia católica. As Igrejas católicas em Arroio do Padre pertencem a paróquia do município de Pelotas. 



Aqui a lista de paróquias nestes municípios que fazem parte da Arquidiocese de Pelotas:


Paróquia
Comarca Eclesiástica
Município
1
Santa Tecla
Criada em 22-12-1983
Av. Narciso Silva, 1490
96160-000 Capão do Leão
Fone: 3275-1186
Sul
Capão do Leão
2
Divino Espírito Santo
Criada em 31-01-1812
Pça. Alcides Marques,53
96300-000 Centro, Jaguarão
Fone: 3261-1978
Jaguarão
Jaguarão
3
Imaculada Conceição
Criada em 07-02-1953
Rua General Osório, 743
96300-000 Centro, Jaguarão
Fone: 3261-1495
Jaguarão
Jaguarão
4
Nossa Senhora da Graça
Criada em 26-03-1846
Rua Herculano de Freitas, 173
96330-000
Fone: 3262-1349
Jaguarão
Arroio Grande
5
Nossa Senhora do Rosário
Criada em 14-06-2007
Rua Dr. Jaques Rosa Machado, 72
Fone: 3254-1113
Jaguarão
Cerrito
6
São João Batista
Criada em 18-01-1825
Rua Júlio de Castilhos, 450
96310-000 Centro
Fone: 3267-1377 – 3267-1319
Jaguarão
Herval
7
São José
Criada em 26-02-1934
Av. José Bonifácio, 37
96360-000 Centro
Fone:   3255-1493
Jaguarão
Pedro Osório
8
Nossa Senhora da Conceição
Criada em 01-01-1812
Rua Júlio de Castilhos, 917
96600-000
Fone: 3252-1440
Canguçu
Canguçu
9
Nossa Senhora da Conceição
Criada em 03-04-1810
Pça. Vinte de Setembro, 127
96490-000 Centro
Fone: 3257-1921 – 3257-1234
Canguçu
Piratini
10
Nossa Senhora Medianeira
Criada em 02-01-1980
Av. Arthur Lange, 248
96148-000 Centro
Fone: 3277-1177
Canguçu
Turuçu
11
Nosso Senhor do Bonfim
Criada em 08-01-1988
Rua das Hortências, 33
96150-000 Centro
Fone: 3224-0491
Canguçu
Morro Redondo
12
Sant’Ana da Maciel
Criada em 21-12-1916
Vila Maciel (antiga Colônia Maciel)
96010-971 Caixa Postal 507
Fone: 3224-6012
Canguçu
Pelotas
13
São João Batista
Criada em 25-12-1959
Distrito da Reserva
96170-000 Caixa Postal 92
Fone: 3611-9017
Canguçu
São Lourenço
14
São Lourenço
Criada em 20-11-1876
Rua Almirante Abreu, 317
96170-000 Centro
Fone: 3251-1703
Canguçu
São Lourenço



Cemitério Evangélico da Comunidade Arroio do Padre II






Aqui algumas fotos dos túmulos mais antigos encontrados no Cemitério Evangélico da Comunidade Arroio do Padre II.


Albert HOLZ *1841 +1913

Karl Friedrich Gottfried RAALCH *1844 +1913

Heinrich Wilhelm August LEITZKE *1825 +1894

Ludwig Joh Fried Aug MACKEDANZ *1835 +1896

Johan F EINHARDT *1817 +1897

Christian BOHRER *1826 +1901

 Hermann HOLZ *1859 +1919

August WICHBOLDT *1837 +1919

Otto Friedrich Wilhelm NORNBERG *1872 +1921

Berthold SCHERDIEN *1858 +1943

Wilhelmine Karoline Henriette KRUGER, nascida FUHRMANN *1869 +1930

Carl Friedrich August MACKEDANZ *1862 +1943

Anna MACKEDANZ LEITZKE *1866 +1947

Wilhelmine LICHTNOW RAASCH *1868 +1943

Carlos Frederico Guilherme PERLEBERG *1854 +1941

 Heinrich Karl Friedrich TESSMER *1850 +1915

Johann Friedrich Wilhelm KRUGER *1836 +1915

Wilhelmina Friedrika Carolina MEWS *1838 +1916

Karl Friedrich Ludwig Hermann EINHARDT *1848 +1916

 Wilhelm Johann Ferdinand UCKER *1852 +1917

Heinrich LEITZKE *1869 +1917

 Valentin BORN *1849 +1924

Albert Karl August RUSCH *1866 +1930

Frederico LICHTNOW *1864 +1939

 Albertine Wilhelmine Friedricke KRUGER, nascida BEIERSDORF *1846 +1931

 Luiz Friedrich Wilhelm SCHERDIEN *1857 +1930

 Friedrich Karl Wilhelm KRUGER *1848 +1922

Wilhelmine Christine RAASCH, nascida STEINKRAUSS *1813 +1904

Ulrike Friederike Wilhelmina LEITZKE, nascida MAAS *1872 +1909

Hermann Friedrich Albert HOLZ *1840 +1911


Karl Heinrich Friedrich ROBE *1852 +1912


Arroio do Padre



Arroio do Padre
Foi uma das principais colônias pelotenses, sendo fundada pela sociedade formada por Guilherme Bauer e Augusto Gerber. Parte do atual município (a Picada Cerrito) pertencia a São Lourenço e parte pertencia a Pelotas (Arroio do Padre I). O espaço depois passou a pertencer ao Distrito de Santa Silvana (antigo 6º Distrito de Pelotas). Em 1967, passou a formar o 10º Distrito de Pelotas com o nome de Arroio do Padre.

Emancipação
Município foi emancipado de Pelotas em 17 de abril de 1996 e a instalação da prefeitura se deu em 01 de janeiro de 2001. 

Gestão
Período
Almiro Buss
2001 – 2004
Gilnei Fischer
2005 – 2008
Jaime Alvino Starke
2009 – 2012
Leonir Aldrighi Baschi
2013 – 2016


Brasão 
O Brasão tem escudo latino e apresenta o arroio que dá nome ao município, a casa que representa as moradias dos povoadores, as árvores representam a vegetação da região, a igreja representa a forte presença da fé cristã, a vaca leiteira que representa a pecuária como uma das principais atividades econômicas, os ramos de milho e de tomate representam as principais atividades agrícolas. Foi criado por Vera Schiller.

Origem do nome
A origem é controversa e nenhuma é comprovada. Ainda falta pesquisa para esclarecer o nome.
A versão dos moradores é de que um pastor da Comunidade de Arroio do Padre I teria fixado moradia perto do arroio e por isso a localidade passou a ser conhecida. Alguns ainda dizem que um padre que visitava a região realizando casamentos e batismos, ou até mesmo um pastor, teria caído nas águas do arroio que havia transbordado devido a fortes chuvas. Essa versão foi confirmada como sendo da oralidade do povo pela Sra. Renilda Vahl Bohrer que a narrou ao Irmão Jacob Parmagnani em 2001.
Outra versão é de que as terras em volta do Arroio teriam pertencido ao primeiro administrador da Real Feitoria de Linho Cânhamo de Canguçu Velho – o Padre Francisco Xavier Prates. A Feitoria foi criada em 1783 e em 1789 foi transferida para São Leopoldo. O Padre era irmão de Paulo Xavier Rodrigues Prates, depois proprietário da região da cidade de Canguçu e da ilha hoje da conhecida por Feitoria em Pelotas. A família e outras vieram para a região depois da retomada de Rio Grande pelos Portugueses em 1776. O padre Prates era cunhado de Manuel Marques de Sousa, militar ativo na expulsão dos espanhóis da Vila de Rio Grande em 1º de abril de 1776. Ali foram assentados os primeiros povoadores de Canguçu. Essa versão, embora baseada em fatos históricos, mas ainda não comprovada. Os indícios e suposições provêm de um mapa elaborado por Alberto Coelho da Cunha, funcionário público de Pelotas no início do século XX. Além, disso, o Padre Prates teria falecido por volta de 1784 e não teria vivido nas terras do Arroio do Padre. 
Outro candidato a ser o "padre", é o Padre Pedro Pereira Fernandes de Mesquita, conhecido por "Padre Doutor". Pedro nasceu em 1729 em Colônia do Sacramento, atual Colonia, no Uruguay, filho de Vicente Pereira e Madalena Martins Pinto de Mesquita. Em 1742 estaria no Rio de janeiro, e no Colégio da Comapnhia de Jesus teria estudado lógica (por volta dos 12 anos!). Em 1748 entra para a Universidade de Coimbra, em Portugal, onde forma-se em julho de 1752, no curso da Faculdade de Cânones. Pessoa culta e com grande estima na Cúria do Rio de Janeiro. Não se sabe quando foi ordenado (possivelmente em 1754). Também, não há certeza onde viveu até ser nomeado capelão em Colônia onde ficou até ser demitido em 1758. Ainda era sacerdote em Colônia quando esta foi conquistada pelos espanhóis. Sendo preso foi levado com a população de Colônia para Buenos Aires e após foi para Rio Grande. Em 1783, foi nomeado pároco da Freguesia de São Pedro, em Rio Grande. E em 1793, deixou o cargo para tornar-se Vigário da Vara até 1805. Tinha terras na região de Pelotas e passou seus últimos dias no Cerro de Santana (no atual município Capão do Leão). Antes de falecer em 27/08/1813, distribuiu suas terras para os sobrinhos Felício, Hipólito e José Saturnino. Na biografia de Hipólito da Costa, escrita por Mecenas Dourado, o Irmão Jacob Parmagnani leu uma menção sobre a memória folclórica de um "Arroio do Padre Doutor". Porém, no blog de Arthur Victoria, pesquisador sobre Capão do Leão, podemos ver em seus artigos que o Arroio São Tomé passou a ser conhecido por "Arroio do Padre Doutor". Logo, talvez ainda não seja também a versão correta. Aguardemos as pesquisas dos historiadores no assunto...

Sobre a formação da povoação
Em 1868 havia 42 famílias alemãs em 50 lotes distribuídos em 3 picadas.
Em 1900 já havia 67 famílias distribuídas em 74 lotes.
Há uma possibilidade de ser o núcleo Bismark a origem do Arroio do Padre em 1867/1868 em terras compradas por Guilherme Bauer a Guerino da Silva Vinhas e Maria Guilhermina em 20/12/1870.
Ali, haveria os 30 primeiros lotes.
Em 1875, Augusto Gerber e Valentim Bauer compram terras a Vicente Cipriano de Maia em 05/10/1875. A partir dessa data, o núcleo original teria se expandido para as terras de 1875 e também para 2 outras áreas compradas por Jacob Rheingantz a Manuel Mathias da Terra Velho em 1871. Esta última para os lados do Arroio Pimenta. Essas três áreas aumentaram em mais 50 lotes.


Localidades
Entre as localidades do município encontram-se:
Bairro Centro
Arroio do Padre I
Bairro Benjamin Constant
Bairro Brasil para Cristo
Bairro Leitzke
Bairro Progresso
Colônia Progresso
Bairro Cerrito
Colônia Cerrito (Picada Serrito)
Colônia Santa Coleta
Picada Bonita
Colônia Santa Silvana II
Picada Arroio Grande
Colônia Bismark
Colônia Oliveira I
Colônia Municipal
Colônia Sítio
Picada Chaves
Arroio do Padre II
Picada Lopes
Colônia Aliança

Expansão da Colônia Arroio do Padre
Núcleo
Comprador
Antigo proprietário
Data da venda
Lotes
Núcleo Cerrito
Jacob Rheingantz

1868
53
Núcleo Arroio do Padre (I)
Guilherme Bauer e Augusto Gerber

1868
20
Núcleo Bismarck
Guilherme Bauer
Guerino da Silva Vinhas e Maria Guilhermina
1870
30
Núcleo Arroio do Padre (II)
Augusto Gerber e Valentim Bauer
Vicente Cipriano de Maia
1875
30
Núcleo Arroio Pimenta
Jacob Rheingantz
Manuel Mathias da Terra Velho
1871
10



Principais famílias povoadoras em Arroio do Padre
Baasch
Baldemanerque
Baltz
Bauer
Bauermann
Behling
Beiersdorf
Beskow
Bonow
Bohrer
Borel
Born
Braun
Braunner
Drawanz
Ebeling
Einhardt
Fischer
Fiss
Gerber
Griep
Gruetzmann
Haerter
Heller
Hellwig
Hirdes
Holz
Jansen
Kaster
Kohls
Krach
Lang
Leitzke
Loeck
Maas
Mackdanz
Manske
Marten
Milech
Muller
Nornberg
Ott
Perleberg
Pieper
Raasch
Radmann
Redu
Ritter
Roschild
Roepke
Rusch
Rutz
Scheunemann
Schild
Schmidt
Schoeder
Scholl
Schuch
Storch
Tessmann
Timm
Uecker
Vahl
Voigt
Waldow
Weiser
Wendt
Wickboldt
Wulff





Fontes:
BEIERSDORF, Cássia Raquel; BAYSDORF, Nataniel Coswig. Arroio do Padre: nosso espaço, história e cultura. Pelotas: Ed. Universitária UFPel, 2010.

FETTER, Leila Maria Wulff. A colonização ocorrida na área rural de Pelotas na segunda metade do século XIX. Pelotas: UCPel, 2002. Dissertação de mestrado - Anexo 6: Fichas relativas aos núcleos coloniais e seus promotores, páginas 1493 a 1501.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arroio_do_Padre, acessado em 12 de janeiro de 2015.

http://capaodoleao.blogspot.com.br/2006/03/9-primeiras-sesmarias.html, acessado em 15 de janeiro de 2015

PARMAGNANI, Jacob José, Irmão Lassalista. Padre Doutor Pedro Pereira Fernandes de Mesquita. Porto Alegre: Gráfica La Salle, 2002.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Arquidiocese de Pelotas - Igreja Católica


A Igreja Católica Apostólica Romana, através do sistema do Padroado, auxiliou a organização política do Novo Mundo encontrado pelos europeus no Continente Americano. No Brasil esse sistema foi aplicado desde o início do povoamento com a criação de dioceses e paróquias (antigos bispados e freguesias).


A Arquidiocese de Pelotas (Archidioecesis Pelotensis) tem como arcebispo Dom Jacinto Bergmann.
Área: 20.737 km2
Dioceses sufragâneas da Arquidiocese de Pelotas: Bagé e Rio Grande
Participa da Conferência Regional Sul 3 do Brasil
Endereço do Arcebispado Metropolitano: Rua 7 de setembro, 145 - Caixa Postal 260
96015-300   Centro - Pelotas, RS, Brasil
Telefone: (053) 3225-8055

Arquidiocese de Pelotas foi criada em 13-04-2011 quando a antiga Diocese foi elevada à condição de Arquidiocese. Abrange todos os municípios pertencentes a antiga Diocese e tem as Dioceses de Rio Grande e Bagé como sufragâneas. 
A Diocese de Pelotas foi criada em 15-08-1910, desmembrada da Diocese de São Pedro de Rio Grande (atual Arquidiocese de Porto Alegre). Além do município de Pelotas, fazem parte da Diocese os territórios dos atuais municípios de São Lourenço do Sul, Turuçu, Capão do Leão, Morro Redondo, Arroio do Padre, Canguçu, Jaguarão, Piratini, Arroio Grande, Herval, Pedro Osório e Cerrito. Inicialmente também abrangia os municípios que atualmente fazem parte das Dioceses de Rio Grande e Bagé, até a criação destas Dioceses.  
A Diocese de São Pedro de Rio Grande foi criada em 07-05-1848, desmembrada da Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Tinha sua sede em Porto Alegre e atualmente tem o nome de Arquidiocese de Porto Alegre. Entre 1848 e 1910 as freguesias do município de Pelotas e adjacências pertenciam à Diocese de São Pedro de Rio Grande e antes de 1848 à Diocese do Rio de Janeiro.
A Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro foi criada em 16-11-1676, desmembrada da Diocese de São Salvador da Bahia e abrangia extenso território, inclusive todo o atual Estado do Rio Grande do Sul. A primeira freguesia criada em território riograndense foi na atual cidade de Rio Grande na década de 1740.
A Diocese de São Salvador da Bahia foi criada em 25-02-1551, desmembrada da Diocese de Funchal e abrangia todo o território brasileiro que estava em posse dos portugueses.
A Diocese de Funchal foi criada em 12-06-1514, em substituição ao Vicariato do Convento de Santa Maria de Tomar, pertencente a Ordem de Cristo. Esta Diocese foi sediada na cidade de Funchal, na Ilha da Madeira, pertencente a Portugal e tinha jurisdição sobre as terras ultramarinas em posse dos portugueses. Logo, entre 1514 e 1551 o Brasil estava sob jurisdição eclesiástica da Diocese de Funchal.
O Vicariato do Convento de Santa Maria de Tomar, pertencente a Ordem de Cristoestava sobre a regra cisterciense que exerceu jurisdição canônica por concessão pontifícia sobre todas as terras descobertas ou a descobrir pelas conquistas portuguesas até a ereção de bispados. Os padres que vieram ao Brasil da descoberta até a ereção da Diocese de Funchal em 1514 pertenciam ao Vicariato de Tomar e à Ordem de Cristo (por isso as caravelas tinham a grande cruz vermelha sobre fundo branco, símbolo da Ordem que vemos nas figuras que representam a época). Essa concessão foi recebida pelo Grão-Mestre da Ordem de Cristo, em 13-03-1456 feita pelo Papa Calisto III, através da bula Inter Coetera, e partilhada através com o Prior-mor do Vicariato de Tomar que era nullius dioecesis, ou seja, o Vicariato tinha jurisdição espiritual mas não tinha domínio temporal.

Aqui neste link encontra-se o Mapa da Arquidiocese de Pelotas com as Dioceses sufragâneas de Rio Grande e Bagé.  


E aqui uma figura com os municípios da região indicando a sequencia de desmembramentos que deram origem a cada um, a partir do município de Rio Grande. As datas são referências a sua criação ou emancipação.


domingo, 30 de março de 2014

Parentes de Frei Galvão em Pelotas-RS?


Parentes de Frei Galvão em Pelotas?

O principal elemento da genealogia como ciência social é a procura de evidências documentais. São os documentos históricos que revelam os indivíduos, porém são os documentos de interesse genealógico que revelam as conexões e vínculos de parentesco entre estes indivíduos históricos diferentes. Assim, é graças a genealogia que é possível investigar possíveis relações sociais entre os parentes genealógicos (pessoas com pelo menos um ancestral comum) de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro.
Frei Antônio Galvão nasceu por volta de 1739 em Guaratinguetá-SP, filho de um português do Algarve e da paulista Isabel Leite de Barros. Alguns genealogistas indicam como ancestrais de sua mãe os velhos troncos que desembarcaram no Brasil no século XVI. Entre seus ancestrais se encontram o nobre açoriano Paschoal Leite Furtado que veio em 1599 para São Paulo, mas também Antonia Rodrigues, índia batizada pelo Padre Anchieta, e Pequeroby, irmão do Cacique Tibiriçá. Assim, o santo brasileiro seria descendente do português colonizador e de índígenas colonizados. Mas passemos para os parentes mais próximos já de fácil comprovação histórica.
Para os gaúchos o parentesco por ancestrais mais importante pode ser o com o general farroupilha Bento Gonçalves. A mãe do santo era trineta de Pedro Dias Paes Leme, que era por sua vez primo-irmão de outro Pedro Leme, chamado o velho. Este Pedro, o velho era bisavô de Fabiana da Costa Rangel, esta última trisavó do General Bento Gonçalves. Está bem caro leitor, talvez seja melhor pegar papel e lápis e esboçar a árvore dos dois indivíduos. Calculando o grau de parentesco descobre-se que são primos de quinto grau com duas gerações de diferença. O leitor e eu, com certeza, acharemos complicada essa nomenclatura pouco esclarecedora deste calculo de parentesco entre o santo e o general. Porém o que nos interessa mais é pensarmos a ligação que poderia haver entre os dois: talvez moral, talvez milagrosa, ou pelo menos de herança cultural dos paulistas que vieram colonizar estes verdes campos sulistas.
Investiguemos agora os parentescos por descendência, os parentescos mais próximos de nós, advindos pelos descendentes dos sobrinhos do santo Frei. Sim, os irmãos do Frei deixaram descendentes que vieram para o Rio Grande do Sul.
A irmã, chamada Maria Leite Galvão casou com Francisco Ferraz de Araújo, pais do paulista Antônio Galvão de França Neto que casou em 1777 em Rio Pardo com a riograndina Escolástica Leonor de Sousa.
Já o irmão do Frei, o sargento-mor José Galvão de França teve pelo menos dois filhos: Francisco Galvão de França e José Galvão de França. O primeiro foi pai de Francisco Galvão de Barros França que casou em Pelotas em 1827 com a pelotense Ana Esméria da Cunha Fontoura. E o segundo filho foi pai do capitão Joaquim Galvão Pacheco de França casado com a pelotense Mariana Amália da Cunha Fontoura, nascida aqui em 1821. Porém, não foi encontrado filhos destes casais nascidos em Pelotas, provavelmente após os casamentos, as esposas seguiram com os maridos para a Província de São Paulo.
Anos mais tarde, Antônio Galvão da Fontoura, filho de Joaquim Galvão e Mariana da Fontoura, seguiu os passos do pai e veio buscar esposa em Pelotas. Aqui casou em 1865 com a pelotense Josefa Amélia Ferreira da Cunha, filha do Alferes Carlos da Cunha e de Josefa Amélia da Fontoura, esta última, irmã de Mariana e de Ana Esméria, sendo as três filhas do casal Francisco José Carneiro da Fontoura e de sua mulher Ana Ludovina da Cunha.

A genealogia estabeleceu os vínculos e conexões de parentesco entre os paulistas Galvão e os gaúchos Fontoura, resta agora à história investigar e revelar quais influências uma família deixou à outra.
Autor: Leandro Ramos Betemps
 Mestre em Memória Social
ltemps@terra.com.br

Artigo publicado no Jornal Diário Popular, de Pelotas, RS, Brasil em  12/05/2007 disponível em http://www.diariopopular.com.br/12_05_07/artigo.html